terça-feira, 19 de junho de 2012

As Cavalhadas de Cazuza Ferreira - RS




Cavalhadas é uma celebração portuguesa tradicional que teve origem nos torneios medievais, onde os aristocratas exibiam em espetáculos públicos a sua destreza e valentia, e frequentemente envolvia temas do período da Reconquista. Era um "torneio que servia como exercício militar nos intervalos das guerras e onde nobres e guerreiros cultivavam a praxe da galantaria.
Nas cavalhadas as alcanzias, bolas de barro ocas cheias de flores e cinzas, eram jogadas no campo de batalha.

As cavalhadas recriam os torneios medievais e as batalhas entre cristãos e mouros, algumas vezes com enredo baseado no livro Carlos Magno e Os Doze Pares da França, uma coletânea de histórias fantásticas sobre esse rei. No Brasil, registam-se desde o século XVII e as cavalhadas acontecem durante a festa do Divino, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil



Os personagens principais são os cavaleiros, vestidos de azul (cristãos) ou vermelho (mouros) e armados de lanças e espadas. A corte é representada por personagens como o rei, o general, príncipes, princesas, embaixadores e lacaios, todos vestidos com ricas fantasias.




No século VI, Carlos Magno, um guerreiro cristão, travou uma batalha épica contra os sarracenos, de religião islâmica, pela defesa de um território.

"A Batalha de Carlos Magno e os 12 pares da França", como ficou conhecido o conflito, acabou tornando-se um símbolo da resistência e avanços da religião cristã na luta por terras e novos fiéis




No século XVIII, motivada por novos coflitos religiosos, a rainha Isabel, de Portugal, instituiu uma representação teatral a ser encenada por cavalheiros. 






As mobilizações começam uma semana antes da batalha, quando as duas tropas passam de casa em casa, seguidas por uma banda de música, para chamarem os cavaleiros para os ensaios.
Comandados por seus Reis (o mais importante componente de cada grupo), as duas frentes de batalha se encontram na casa onde é servida a "Farofa" (um reforçado café da manhã) e, após rezas e danças folclóricas, seguem finalmente para o ensaio diário.




No dia da performance, os cavaleiros, já com as vestimentas típicas da festa, partem para o "Cavalhódromo", local onde serão encenadas as fases da luta. Para eles, as cavalhadas representam também um ato de renovação da fé no Divino Espírito Santo. Gari, fazendeiro ou comerciante, ser cavaleiro das Cavalhadas, soldado, embaixador ou rei, faz cada um deles pessoa altamente prestigiada na cidade.







Outra grande atração da festa são os Mascarados, ou Curucucús, irreconhecíveis com suas roupas coloridas.

Dotados de grande visibilidade, mas protegidos pelo anonimato, eles podem "tudo": pedir dinheiro, dançar, pular, brincar, flertar, gracejar... não há requisitos para se sair de mascarado, a não ser o uso de máscaras e a vontade de brincar.

Representando o povo através de sua espontaneidade, eles brincam com todos não só no Campo das Cavalhadas (Cavalhódromo), mas também pelas ruas e bares da cidade. 





Cazuza Ferreira é um distrito pertencente ao município de São Francisco de Paula, no estado do Rio Grande do Sul. A sede deste distrito fica a 122 quilômetros da sede do município, via estradas locais, Rota do Sol e RS-020. Este distrito é um dos únicos locais do Rio Grande do Sul onde ocorrem as cavalhadas, espetáculo com mais de 120 anos de existência nesta localidade. Cazuza Ferreira é o 'torrão natal' do Batista Bossle, autor do Dicionário Gaúcho Brasileiro. "A mais completa obra de referência lexicográfica do 'idioma' dos gaúchos." (Artes e Ofícios Editora). Neste distrito entre as décadas de 70 a 80, ficou marcada pela grande exploração de madeira. A árvore símbolo araucaria foi dizimada quase que por completa na região.





Pesquisa de Campo dos Alunos da graduação em História e do mestrado em Patrimônio e Bens Culturais  do La Salle de Canoas  


Professores: Lucas Graeff e Cleusa Maria Gomes Graebin


fotos: Luciano Lunkes


texto provisório: wikipedia e www.pirenópolis.com.br





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4 comentários:

  1. Parabéns, Luciano!
    Fotos maravilhosas e texto excelente. Vou colocar link nos meus favoritos.

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  2. Vivendo e aprendendo! Que trabalho lindo! Fiquei louca pra conhecer!

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  3. Lu, querido ! A maestria é para os mestres ! Realmente, muito lindo tudo isto. Acho que é tbm. por isso, que te gosto tanto: amplias meu conhecimento em diversas direções!Amplias os saberes e os divide generosamente. Parabéns. Bjs.

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  4. Que super o retorno de vocês. Obrigado!!! O texto - tomado emprestado da net - será substituido, na sequência, por um texto que estou escrevendo.
    super beijoooooooo

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